O Meu Mundo Ainda Não Está Pronto

Quatro pedras de gelo caem dentro do copo, que é inundado por um líquido de cor
ocre, com um cheiro e gosto que remete ao puro malte.
Acho que já era o terceiro ou quarto… nem sei mais!…
Sei que ainda continuo sentado no sofá, de olho na TV, que está desligada; mas
meu entretenimento vem de uma velha vitrola que está a rolar um vinil de uma
banda inglesa dos anos 60. O relógio na parede continua sem pilhas, e marcando
a mesma hora, o tempo todo. Aqui dentro o tempo estacionou. Não sei mais que
dia da semana, mês ou ano me encontro. Tranquei todas as portas e janelas; e
quebrei as chaves. Desliguei a campanhia e apaguei todas as luzes. Estou
invisível, totalmente para o mundo!
Mas… me esqueci de um detalhe. O velho telefone demodê num canto da sala,
que começou a tocar insistentemente. Tocou até parar. E foi asssim por
infinitas vezes.
Por fim, pulo do sofá e resolvo atendê-lo: – (com uma voz bem calma) Alô!?
– Alô Baby, que vontade de te ver!…
– Patty??
– Claro amorzão!… Tô aqui no clube… ‘tá um dia lindo, sol quente, cheio de
pessoas lindas, maravilhosas… vem prá cá!!
– Claro amor! Vou tomar uma ducha e daqui a meia hora estarei aí! Te amo, beijos!
– Te amo também!!

kurt

 

Chovia torrencialmente sobre Seatle. Kurt acabara de chegar em casa, sem saber
de onde teria vindo. Desde a tarde, tomava umas, umas, umas, e outras.  Parecia que
sua cabeça iria explodir! Por um instante, parecia que Kurt havia visto o vulto
de Courtney. Mas não ligou muito; seria apenas mais uma miragem. Kurt ligou seu som, 
remexeu em uma instante, e pegou alguns CD’s. As músicas iam rolando, e Kurt ia
ficando inquieto. Às vezes ouvia vozes sussurando em seus ouvidos:
– Frances não o ama, ela não o acha capaz para que seja chamado de pai!
– Courtney não lhe quer mais!…
– O sucesso vai te colocar contra todos…
Kurt não aguentava mais. Ou estava ficando louco ou quem sabe no inferno!
De repente, detrás da estante de CD’s, surge um duende de aproximadamente 45 cm
de estatura. Era horripilante, escamoso, meio esverdeado. E ele tinha um sorriso
sarcástico. Ele também tinha duas armas. E foi logo falando:
Tudo bem Kurt? Será que sua alma está em paz?
Kurt responde:
– Vai-te embora, você é apenas fruto da minha imaginação…
– Que isso Kurt! Você sabe que eu sou real! Eu estou aqui. E vamos ouvir músicas
juntos ou não?!
Kurt grita com as mãos sobre os olhos:
– Não, eu não quero! Quero ficar sozinho. Vá embora!!
– Certo Kurt, eu irei; mas só se você topar entrar em um jogo…
– Que jogo??
– Roleta Russa! Primeiro eu, depois você!
– Certo! Qualquer coisa, mas depois vá embora!
O duende aponta a arma para a sua própria cabeça, aperta o gatilho e TAC! Estava
a salvo! Agora seria a vez de Kurt, que faz o mesmo. Fecha os olhos…
Mas nesse instante aparece dezenas de imagens de pessoas amigas, dizendo:
– Não faça isso Kurt, não Kurt, não faça isso!
Kurt para por um instante; tenta voltar atrás. Mas Courtney aparece
numa nuvem de fumaça e lhe diz:
– Vamos Baby, o que está esperando?! Acabe logo com isso!!
Enquanto isso lá fora a chuva passara. Agora só havia uma forte neblina.
Corujas e morcegos, carros velozes e um forte vento dominava a noite.
Nada poderia tirar aquela tranquilidade.
Ei espere; ouve-se um estampido, um tiro. Mas foi só um tiro!
Tudo voltou ao normal de novo!!

Kurt Cobain

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O astronauta

Era uma vez um astronauta, que estava sozinho na lua. Ele estava muito triste. Seu
foguete estava sem combustível, e ele estava perdido, pra sempre ali naquela
lua solitária.
Olhando a Terra no espaço escuro, começou a chorar. Lembrava da sua esposa, seu
filho, seu cachorro. Lembrando que nos finais de semana eles faziam aquelas
festas, regadas a pizzas, churrasco, macarrão na chapa, e um delicioso caldo de
feijão, que só sua esposa sabia fazer. Lembrou disso tudo e chorava, chorava,
chorava. Nunca mais colocaria os pés na Terra.
Chorou tanto que adormeceu. E sonhou que voltava pra Terra, voando livre pelo
espaço sideral. Chegara na sua casa, sua família o esperava com aquela festa
costumeira. Era tudo maravilhoso. Daí acordou, e viu que ainda estava preso na
Lua. Chorou mais, muito, tanto que o seu capacete foi enchendo de lágrimas,
quase o afogando. Ele teve que tirá-lo na hora, se não morreria sufocado. Foi
Daí que ele sentiu que podia respirar. Na Lua tinha oxigênio. Menos mal. Então
resolveu dormir, e se preparar para os próximos dias lunares.
Pela manhã ao acordar, fitou a Terra no céu negro, e sentiu aquele aperto no
peito; mas não mais chorou. Pegou uma rocha, esculpiu nela um cachorro, que
tratou de chama-lo de Lunático. Esse que a partir daquele momento seria seu
amigo. Mesmo sem nada falar, nem mesmo latir, seria considerado seu amigo.
Ficou mais calmo assim, por vários dias; mas sempre lágrimas caíam de seus olhos.
Uma certa vez, viu luzes no céu. Era um disco voador que aterrissara ou
alunissara ao teu lado. Dele descerem dois ET’s, que foram logo lhe falando, que
poderiam ler mentes, pensamentos… e viram que ele estava muito triste ali
naquele ambiente inóspito, sem combustível pra voltar pra casa, e muitas,
muitas saudades da família….
Ele mais que depressa confirmou isso tudo, eloquentemente. E eles ainda lhe
disseram que iriam ajuda-lo a voltar pra velha e querida Terra. Se ouviu um oba
ensurdecedor em toda a lua.
Porém, disseram eles, tem um porém. Queriam algo em troca. E ele concordou,
falou o que vocês quiserem, mas me tirem daqui!!
E o pedido foi cochichado em seus ouvidos.
Passado um tempo nosso astronauta, juntamente com seu amigo Lunático, aterrissa
em seu quintal, são e salvo. Corre para dentro de casa para abraçar sua esposa
e filho, e também o cachorro. Abre a porta com uma ânsia enorme. lá os encontra
dormindo no sofá. Ela com uma foto sua no peito, e o guri com uma bola de golfe
às mãos. Ele começou a chorar de alegria, e o cachorro que estava próximo ao
sofá começou a latir de felicidade. Todos acordaram, e quase não acreditaram
naquela visão. Foi uma alegria total, uma felicidade sem tamanho!
À noite pra comemorar, aquela festança! Amigos, vizinhos, parentes; e muito
macarrão na chapa, caldo de feijão, pizza, e o famoso churrasco. Além de muita
mas muita cerveja. E muitas conversas. Colocando todos os assuntos em dia.
Todos queriam saber como voltara. Ele apenas disse que uma força expedicionária
o trouxera de volta ao lar.
De repente a campanhia toca, e ao abrirem a porta, entram dois indivíduos muito
engraçados, por sinal. Tinham aquelas máscaras tipo um óculos com um narigão e
um bigodão, e roupas de palhaço. E o nosso astronauta foi dizendo que eles
eram seus amigos, e adoravam caldo de feijão, bacon, e cerveja. Pediu que
lhes servissem à vontade. E isso foi feito.
E quando já era quase de madrugada, e todos os convidados praticamente foram
embora, nosso astronauta nota os seus amigos apagados no sofá. Beberam demais.
De repente o cachorro, brincando, pula por cima deles, e as máscaras caem.
A mulher e o filho quase tem um troço ao descobrirem se tratarem de dois ET’s.
Mas o astronauta explica tudo, e tudo fica na paz!
Só que no outro dia os ET’s, que ficaram de ressaca; dormiram o dia inteiro, e ainda
ganharam um pito do ET superior, que os tinha liberado somente por uma noite.

Astronauta

 

Desde que meu filho nasceu, sempre conto pra ele histórias à noite, antes do sono
chegar. Vou inventando, misturando histórias famosas com umas que não existe,
fazendo uma salada. Mas ele sempre gostou, e sempre pede pra que lhe conte mais.
Muitas dessas histórias poderiam ser publicadas em algum lugar, se caso eu as
tivesse guardadas, como por exemplo gravadas em algum dispositivo e depois
transcrevê-las. Não fiz isso. Mas essa, que foi contada a pouco tempo, consegui
correr e passa-la para um papel, antes que a esquecesse. Farei isso de vez em quando
com outras e publicarei aqui nesse blog. As Histórias que conto para meu filho.
Hoje ele está com nove anos, mas ainda gosta muito de histórias.
Breve breve tem mais, abraços!!

 

De Médico e Louco, Todo Mundo Tem Um Pouco

Nessa última semana fiquei ¨baqueado¨, como se diz na gíria, com uma gripe
viral daquelas bem ¨brabas¨ !! Me atacou direto na garganta, me deixando
afônico, quase totalmente sem voz.
Essas últimas gripes que me acometeram foram implacáveis com minha
garganta. Eu que não consigo ficar calado nem um minuto; converso comigo
mesmo, principalmente quando não tem ninguém por perto, fiquei bravo, muito
bravo! É uma coisa que te irrita, irrita demais!
E nessas horas que você vê que a voz é tudo. Não tê-la, nem que seja por um
Curto período de tempo é uma das piores coisas do mundo!!
E essa demorou a passar, e muito. Foram uns quatro dias. Uma chatice total.
E você chegando em qualquer lugar, abrindo a boca e os comentários:
– Ihhh, ‘ tá mal cara!!! cadê a sua voz??
E muitos outros parecidos com esse.
Mas depois vem aquela parte da solidariedade. Todo mundo também querendo
te ajudar. Mas como?
Com mil receitas. Todo mundo virou médico a partir daquele momento:
– Toma um chá de guaco com mel.
– Toma um chá feito com gengibre e limão.
– Faça um gargarejo com água morna e um pouco de vinagre.
– Faça gargarejo com casca de fruta de romã.
– Vou fazer um Reiki em você.
– Isso, mais aquilo, e mais isso!!
E daí entro eu, que já pus na minha cabeça que gripe é assim; ela chega,
te causa o mal, fica instalada por três, quatro, ou mais dias, e vai embora!
Você pode tomar sempre todos os medicamentos para deixa-la bem longe
de você. Mas quando ela te pegar, já foi. Tem todos aqueles procedimentos
que citei antes. É uma lei imutável, até que se crie um remédio definitivo
contra a gripe, o resfriado e adjacências.
Enquanto isso não ocorre, ela chega, se instala e depois vai embora.
E aja atchim, lenços, papel toalha, papel higiênico e tudo que sirva para
te auxiliar no duro trabalho de deixar seu nariz mais limpo e asseado…
e muito mais vermelho!!

DSC02013 - Copia (2)

O mundo ainda não está pronto…

Alvoroço total na minha casa. Era domingo, e estávamos
num churrasco, todos animados, comendo, bebendo, e
curtindo o melhor do pop rock Br, o rock brasileiro; um
dia o mundo ainda vai sentir nosso felling…
E entre goles de tequilas, whisky, vodkas, cachaças,
e cervejas em geral, íamos levando na paz o domingão,
que se mostrava propício a qualquer estrepolia que ¨não¨
condisse com a realidade. Dentro daquele espaço,
naquele momento, tudo seria permitido, se os presentes
dessem aval. E tudo dava! Se aparecessem gnomos e
fadas, eles seriam aceitos na festa.
Por um momento alguém parou o que estava fazendo (ou
bebendo) e foi auxiliar a matriarca da casa, pois uma bola
de uma das crianças ficou presa no telhado, próximo à
calha que leva a água da chuva para a chão.
Esse pegou uma mini escada, subiu, pegou a bola e
voltou à sua vida boêmia normal. A escada, por sua
vez continuava lá, imóvel!
Passado um certo tempo fomos acudidos por gritos!…
” Olha o macaco, está livre!! Vai subir na escada…
vai chegar ao telhado… ”
Era o macaco de estimação do pessoal da casa.
Conseguira se soltar das amarras que o mantinha preso
próximo à sua jaula, e estava apto a alcançar a escada
e pular direto para o telhado, para a liberdade!!
Todos gritaram: – Segura o macaco, segura o macaco,
não deixa ele subir, segura o macaco, segura o macaco;
não deixa ele subir a escada, esse é o caminho para
a evolução; segura o macaco, segura o macaco,
segura o macaco!!!

Macaco subindo pela escada

Bowie e assuntos aleatórios

Acordo às nove horas da manhã, ligo o rádio, e ouço falar que Bowie
havia morrido. David Bowie morreu!!
Que choque!! Nem sabia que estava doente. David Bowie, o Camaleão
voltara para as estrelas.
E você fica suspenso no ar, sem acreditar. Fica preso no tempo, sem
relógio, sem saber o que fazer.
Já fiquei preso num quarto ouvindo bandas ensaiarem por dias. Não
sei tocar nenhum instrumento, mas entendo música.
Já fiquei preso num quarto por semanas, em lua de mel. Quando
menos esperei, o céu cor-de-rosa desabou sobre minha cabeça.
Já fiquei preso no trânsito, em pensamentos infindáveis. Um carro
entrando pelas vidraças de uma grande loja me trouxe para a
realidade.
Já fiquei preso num supermercado em dúvidas gastronômicas. A
degustação de um tinto importado me libertou, me trouxe de volta.
Só Bowie não volta, nem voltará. Não agora; talvez em outro tempo,
mas não agora. As canções vão continuar a ecoar por todas as
direções, em ondas infindáveis, sempre angariando mais legião
de fãs. Talves o Camaleão volta em outra fisionomia, quem sabe?
E enquanto isso lá fora, cachorros latem incessantemente,
insuportavelmente… os homens encarregados de recolher nosso
lixo acabam de passar pelas ruas da cidade…

 

Bowie