Contando estrelas

Meteoro

Não vou mais me  preocupar com asteróides, cometas ou meteoros,
que eles cismam que vão colidir com a Terra. Na hora H tem sempre
outra conversa. O meteoro se desviou próximo do sol, desintegrou,
desapareceu.

chuva_Lisboa

Não vou mais me preocupar com a falta da chuva.
Eles cismam que o mundo vai secar, vai virar um deserto.
Quando menos se espera a chuva chega; e de repente,
demora dias, semanas para ir embora.

Chuva

Não vou mais me preocupar com a 3ª guerra mundial.
Eles sempre falam que a qualquer momento o mundo
vai entrar em um colapso, que não sobrará pedra sobre pedra.
Mas no frigir dos ovos, algum pacificador emergente coloca panos
quentes em qualquer rumor cataclísmico; e o mundo volta a respirar
com tranquilidade novamente.

Guerra

Não vou mais me preocupar com amores imperfeitos, desconexos.
Eles cismam que você tem que seguir a cartilha certa do coração.

Amor (im)perfeito

Mas quando o amor bate, acontece, é pra valer. Nenhuma
teoria fica de pé. Tudo é perfeitamente imperfeito, como parcas
nuvens num céu azulado, ou alguns poucos cactos num deserto
cortado por uma auto estrada.

amor-heder1

Não vou mais me preocupar com o que eu escrevo.
Se agradar a maioria ficarei feliz;
mas caso não seja de um agrado universal vou continuar tentando,
tentando, tentando, tentando, tentando, tentando, tentando…

Pratos, talheres e um olhar perdido

 

Um olhar perdido

 

Ele chegou no restaurante, deu uma olhada de 360 graus, e foi logo se assentando.
Escolheu uma mesa próxima da janela; queria ver o movimento da rua.
Tantos carros, tantas pessoas, tanto barulho! Sons de buzina, pessoas conversando,
buzinas, conversas, buzinas, conversas…
Às vezes ele dava uma olhada para o céu. Céu azul com poucas nuvens.
De vez em quando enfiava a mão no bolso, retirava um relógio com uma corrente,
e olhava as horas. Já passava do meio-dia.
Depois ele pegou o saleiro e salpicou sal na palma da mão, passando a lingua,
sem reparar que uma moça de cabelos longos lhe observava.
Em seguida pegou um palito numa caixinha que tinha umas letras
que formavam a palavra Gina. Ficou a mordiscar o dito cujo.
A moça de cabelos longos se levanta e vai em sua direção.
Chega próximo a sua mesa e lhe pergunta:
– Senhor, vejo que está aqui a mais de meia hora, sentado nessa mesa.
Desculpe eu te perguntar; está a esperar alguém?
E ele responde meio que desconfiado:
– Não minha jovem; eu sou de outra cidade. Cidade pequena, sabe? Bem pequena.
Estou aqui na capital para resolver alguns problemas da minha fazenda!…
No que a jovem responde:
– Ah sei… Mas o senhor está aqui para almoçar, não?
– Sim, sim, sim… e estou com muita fome…
mas o garçom nunca vem aqui, anotar o meu pedido.
A moça se surpreende:
– Ah meu senhor, aqui é um restaurante self service…
Self o que? – Pergunta o senhor com uma enorme desconfiança.
– Self service, quer dizer… como que eu te explico!…
É assim. O senhor vai lá onde estão aqueles pratos, escolhe um, vai até aquele lugar
onde a comida está; e vai se servindo. O que o senhor quiser!
– O que eu quiser?
– Sim!
– Qualquer tanto que eu quiser?
– Sim!
– Com todas as carnes que eu quiser?
– Sim!
– Com direito a cafezinho depois?
– Sim!!
– Meu Deus!! Na minha cidade não tem isso não moça??
– …………..
– Mas… E depois que eu fizer isso tudo?
– O senhor faz seu prato, pesa na balança, almoça,
e depois paga o valor da sua refeição!
– Mas vem cá! E se eu quiser tomar uma pinguinha prá
abrir o apetite, eu tenho que pesar também????

Almoço