O mundo ainda não está pronto…

Alvoroço total na minha casa. Era domingo, e estávamos
num churrasco, todos animados, comendo, bebendo, e
curtindo o melhor do pop rock Br, o rock brasileiro; um
dia o mundo ainda vai sentir nosso felling…
E entre goles de tequilas, whisky, vodkas, cachaças,
e cervejas em geral, íamos levando na paz o domingão,
que se mostrava propício a qualquer estrepolia que ¨não¨
condisse com a realidade. Dentro daquele espaço,
naquele momento, tudo seria permitido, se os presentes
dessem aval. E tudo dava! Se aparecessem gnomos e
fadas, eles seriam aceitos na festa.
Por um momento alguém parou o que estava fazendo (ou
bebendo) e foi auxiliar a matriarca da casa, pois uma bola
de uma das crianças ficou presa no telhado, próximo à
calha que leva a água da chuva para a chão.
Esse pegou uma mini escada, subiu, pegou a bola e
voltou à sua vida boêmia normal. A escada, por sua
vez continuava lá, imóvel!
Passado um certo tempo fomos acudidos por gritos!…
” Olha o macaco, está livre!! Vai subir na escada…
vai chegar ao telhado… ”
Era o macaco de estimação do pessoal da casa.
Conseguira se soltar das amarras que o mantinha preso
próximo à sua jaula, e estava apto a alcançar a escada
e pular direto para o telhado, para a liberdade!!
Todos gritaram: – Segura o macaco, segura o macaco,
não deixa ele subir, segura o macaco, segura o macaco;
não deixa ele subir a escada, esse é o caminho para
a evolução; segura o macaco, segura o macaco,
segura o macaco!!!

Macaco subindo pela escada

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Bowie e assuntos aleatórios

Acordo às nove horas da manhã, ligo o rádio, e ouço falar que Bowie
havia morrido. David Bowie morreu!!
Que choque!! Nem sabia que estava doente. David Bowie, o Camaleão
voltara para as estrelas.
E você fica suspenso no ar, sem acreditar. Fica preso no tempo, sem
relógio, sem saber o que fazer.
Já fiquei preso num quarto ouvindo bandas ensaiarem por dias. Não
sei tocar nenhum instrumento, mas entendo música.
Já fiquei preso num quarto por semanas, em lua de mel. Quando
menos esperei, o céu cor-de-rosa desabou sobre minha cabeça.
Já fiquei preso no trânsito, em pensamentos infindáveis. Um carro
entrando pelas vidraças de uma grande loja me trouxe para a
realidade.
Já fiquei preso num supermercado em dúvidas gastronômicas. A
degustação de um tinto importado me libertou, me trouxe de volta.
Só Bowie não volta, nem voltará. Não agora; talvez em outro tempo,
mas não agora. As canções vão continuar a ecoar por todas as
direções, em ondas infindáveis, sempre angariando mais legião
de fãs. Talves o Camaleão volta em outra fisionomia, quem sabe?
E enquanto isso lá fora, cachorros latem incessantemente,
insuportavelmente… os homens encarregados de recolher nosso
lixo acabam de passar pelas ruas da cidade…

 

Bowie

O Fusquinha do Elefante

 

fusquete - photoshop edit

Mazinho, o elefante grande e gordo, andava feliz da vida. É que
nos últimos meses economizara alguns trocados e com as
gorjetas que ganhara dos turistas no zoológico conseguira
comprar um fusquinha 67.
Botou umas rodas talalargas, lubrificou o motor, colocou
um som estribado e pintou o carro de amarelo com bolinhas
azuis. Depois arranjou óculos Rayban e uma gravata borboleta
e andava todo ”posudo”. Era o terror do zoológico!
E todas as noites, quando o porteiro cochilava, lá ia
Mazinho, saindo pelos fundos com seu Fusquinha envenenado,
para dar uns ”rolés” pelo centro da cidade. Ia à praça da Liberdade,
Mangabeiras e Savassi, curtindo um ”sonzão” mas sempre dirigindo
com o cinto de segurança e nunca passando dos oitenta quilômetros.
Numa noite dessas, ao voltar para o zoológico, teve de dar carona
para o casal de girafas, que tinham ido num ”auê” na Savassi e
perderam a hora. O difícil é que elas tinham que ficar com os
pescoços para fora, e Mazinho ficava sem a visão dos retrovisores.
Mas o fato mais estranho foi quando o porco-espinho passou mal
do estômago e Mazinho teve que levá-lo ao hospital e depois na
farmácia 24 horas. Mazinho passava a marcha e enchia a mão de
espinhos; foi uma tortura.
Mas com esses deslizes, ainda assim Mazinho curtia seu
Fusquinha. E todo sábado lá ia Mazinho ao cinema com sua
namorada, a formiguinha Samantha. Assistiam ao filme saboreando
uma pipoca com bacon e um delicioso suco gelado.
Num sábado desses, quando estavam indo embora, eis que
na esquina da Rua Anastácio com Travessa Blenda, Mazinho se
depara com quatro elefantes amigos seus lá do zoológico.
Eles vinham de uma danceteria, e claro, pediram carona.
Mazinho não pensou duas vezes; parou o Fusquinha amarelo
com bolinhas azuis e colocou todos para dentro.
No outro dia, todos os bichos do zoológico ficaram encucados!
Todos queriam saber como couberam cinco elefantes dentro
do fusquinha!
O orangotango foi atrás de Mazinho pedir explicação. Mazinho
explicou:
– Fácil!! Coloquei minha namorada no colo, um elefante do meu
lado, e os outros três no banco de trás!!!
Vruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmmmm!!!

 

Mais uma história de minha autoria que foi publicada no extinto jornal Diário da Tarde de Belo Horizonte, MG, Brasil em março, no dia 14 do ano de 1998.
Sempre aos sábados era publicada  a página DT Infantil (Revistinha) no suplemento
Revista Sábado, em que eu publicava também tirinhas. A ilustração dessa
história no jornal mais uma vez é do competentíssimo multi-artista Son Salvador. Aqui no Blog uso uma ilustração minha, colorida no Photoshop.
Brevemente mais histórias do jornal, e se gostar curta e compartilhe, abraços!!

 

 

 

Férias na Lua

lua2

O foguete acabara de partir. Senti o céu negro, e olhando pra trás, vejo a Terra toda
azul, suspensa, sem nada a segura-la. O universo é mesmo uma coisa de gênio!
Passou-se pouco tempo e chegamos à Lua. Muito rápido. Quem diria que em 2015 mal saíamos de nossos próprios países.
O comandante avisa o nosso destino, colônia A29.
Era o ano da graça de 2089, e viagens à Lua, ou a Marte eram coisas corriqueiras.
Já fui algumas vezes em Marte, mas confesso não me sentir muito bem lá.
Voltando ao assunto da Lua, deixo bem claro que a Colônia A29 não é aquele local lunar tão concorrido  assim. Se até nos anos 2035 eles escondiam de todo mundo a verdade  sobre o
lado oculto do nosso satélite, hoje em dia não é mais segredo. É um local que tem uma  cidade
em ruinas, dezenas de sucatas de naves extraterrestres, e até o corpo mumificado de uma mulher,  que segundo os estudos não é da Terra.

Ruinas lunares 1

mulher mumia

Em Marte também já se sabe toda a verdade. Em Cydonia existe três pirâmides, próximas do
rosto, que diziam ser obra dos ventos. Como eram ¨tapados¨ o pessoal do século 20, século 21.
Hoje se sabe que o rosto era de um patriarca de um planeta que ¨invade¨ o nosso sistema solar num período de 3600 anos. Vieram a Terra a procura de ouro, que eles usavam em sua atmosfera, processo que brevemente teremos que usar na nossa Terra também para nos
proteger de raios nocivos. Mas ainda hoje nos nossos dias têm pessoas que ainda não aceitam isso tudo. Querem continuar a não acreditar que nosso planeta, e outros do sistema solar
foram colonizados por seres extraterrestres.

Rosto de Marte

Mas voltando a falar da Colônia A29, um lugar muito tranquilo, quase que isolado, habitado
mais por estudantes, cientistas, e curiosos da cultura antiga e bizarra.
E eu aqui, com alguns amigos. Tenho uma Banda de Rock. Toco muitas coisas, e um punhado
de músicas de uma Banda que eu acho fenomenal.
Como eu gostaria de viajar na máquina do tempo e ir até Liverpool conhecer pessoalmente os
quatro cabeludos famosos, Os Beatles. Uma das melhores coisas que o passado nos deixou!

beatles1964

Faremos um show aqui hoje à noite, para um publico cabeça. Mas antes, aquele passeio
turístico e claro saborear umas beers lunares, coisa finíssima.
E a noite chegou e com ela nós e o rock and roll. Foram muitas músicas com pegada, e o
climax com Ticked To Ride dos Beatles. Mas antes do término da canção, soa a sirene
avisando alerta. Cavalheiro Negro, como é conhecido um estranho satélite artificial, que existe
desde os anos 1970, que ninguém da Terra assumiu sua propriedade, e se fala que ele é um
artefato de outra civilização que não a nossa, estava emitindo sinais estranhos, e poderia
entrar em colapso.

Black Knight

O show teve que terminar antes do previsto. Todos foram encaminhados para abrigos, e nós
e os outros visitantes fomos para o ônibus espacial, com retorno à Terra!

Onibus espacial

Foi uma pena, mas também não deixou de ser emocionante.
E já dentro do veículo espacial conversávamos despreocupadamente, e resolvemos tocar
e cantar para os passageiros, num clima bem relax.
E enquanto víamos da janela o sol nascer bem por detrás da Terra, eu tocava violão e cantava
¨…Here comes the sun¨, Here comes the sun, and i say it’s all right, Little darling…¨

 

Paredes Pintadas Pra Guerra

Cego e gordo cores novo

O investigador estendeu sua visão para um individuo gordo e lhe
perguntou se ele tinha visto algo. Daí lhe caiu a ficha que o sujeito
era um cego, um deficiente visual:
– Oh, me desculpe!… E o sujeito cego passou quase que por cima
dos corpos dos indivíduos assassinados. Todos com tiros perfeitos
na cabeça. No chão se misturava sangue e tinta vermelha que os
três pichadores usavam contra uma sacada.
– Quem fez isso é profissional; um tiro só em cada, e certeiro.
– Dizia um perito em balística!
Semanas se passaram, precisamente três, e nada se
descobriu acerca do crime.
De repente outra manchete ganha as páginas dos jornais:
– Mais quatro vitimas do assassino dos pichadores.
Agora ele fora promovido a serial killer!
Só que uma vitima teve sorte. O tiro acertou seus óculos,
o deixando apenas atordoado.
E quando a polícia chegou lá estava o jovem em prantos, sendo
amparado por um cego gordo, que lhe dizia que tudo ia ficar bem!
– E os crimes foram se tornando mais freqüentes, e menos
pichações iam aparecendo.
Num determinado momento das investigações, o detetive
encarregado do caso teve um súbito lampejo na mente, e
atinou para o fato que sempre aos locais do crime, ele se
encontrava com um cego gordo.
Que teria essa relação? Como um cego conseguiria ver pichadores,
pichações, usar uma arma com destreza, como, como???
Não era um cego! Pronto! O assassino era o sujeito que
fazia-se passar por cego.
Começou uma busca frenética por todos os locais que
aconteceram os crimes.
Várias investigações foram feitas, mas não conseguiram evitar
que se publicasse nos jornais a maluca história que o suspeito
dos brutais crimes era um cego gordo.
Toda a cidade comentava. Se fosse verdade que álibi perfeito.
Só se sabe que depois de escancarados nos jornais essa
história, os crimes cessaram por um bom tempo; até que seis meses
depois mais três vítimas foram encontradas caídas em um parapeito
de um prédio, todas ensangüentadas, com uma pichação feita a sangue:
¨- Resolvi parar por aqui, não quero ser algoz de mais ninguém…¨
E alguns metros abaixo, a polícia encontrou um óculos escuro,
borracha com enxerto no formato de uma barriga, estopas e uma
arma de última geração que havia sido quebrada contra um poste!
Sabia-se agora que o investigador estava certo, mas do
criminoso nunca se soube mais notícias!!

Amor e Sorvete

 Gabi

A chuva caiu. Trouxe vento e frio.
Molhou os cabelos da menina.
Ela colocou seus braços em volta dos seios.
Em seus olhos tinha lágrimas.
E ela pensou naqueles momentos de arrepio,
quando seu coração bateu, bateu, bateu
e não foi correspondido. De mais

moça sorvete1

agora era o medo de amar novamente.
Pensou bem, e achou melhor ficar na sorveteria.
No outro dia sua consciência
estaria tranquila e calma.
O único problema seria calorias a mais;
mas isso, uma outra paixão resolveria.

SORVETE

 

Publiquei essa história inicialmente no blog TV Biscoito Canal 8 em 02 de julho de 2013 http://tvbiscoitocanal8.blogspot.com.br/2013/07/amor-e-sorvete.html

 

Eu a Vi No Olho Mágico

olho magico 02

Laupinho andava meio diferente. É que na escola acabara
de chegar uma nova aluna. Viera de outro bairro, e era muito
bonita. Foi só Laupinho bater os olhos nela, e estava
apaixonado. Se é que se pode dizer paixão; eram mais
aquelas coisas de criança mesmo!
E na hora do recreio, lá estava a garota, e todos os
meninos comentando: – Puxa, ela é mesmo linda!
– E olha aqueles cabelos. E aqueles olhos!
Seu nome era Lena, e onde ela ia todos os meninos
do colégio iam atrás. Inclusive Laupinho, que dizia
para o Juliudu:
– Juliudu, acho que estou apaixonado por ela!
– É mesmo, Laupinho? Então vamos lá falar com ela!
– Ficou louco! Ela nem sabe que eu existo!
– Mas vai saber agora, sô!
– Nem pensar, eu tenho vergonha!
E ficava aquele impasse. Laupinho não sabia se a
esquecia, ou se falava com ela.
Aí eles tiveram uma idéia. Descobriram onde ela morava,
e mandaram uma rosa pra ela com um cartão, que dizia que
Laupinho estava a fim de conhecê-la, e trocar idéias.
– Mas como se trocam idéias, Juliudu? É que nem trocar
figurinhas?
– Olha, Laupinho, os adultos é que falam assim. É contar
os seus segredos pra ela, e ela contar os dela pra você. Eu
acho que é assim!
E as horas se passaram. À tarde, caía um enorme temporal
sobre a cidade. Laupinho estava sozinho em casa. De repente,
a campanhia toca. Quem poderia ser naquela hora, e
debaixo daquele ¨chuvão¨?
Laupinho correu para a porta e olhou pelo olho mágico.
E quase caiu para trás.
Do outro lado da porta, estava lá, parada, toda molhada
pela chuva, Lena, a menina mais bonita da escola.
Laupinho não sabia o que fazer. – Com os cabelos molhados
ela era ainda mais bonita! – pensava com seus botões.
Mais tarde fora falar com Juliudu:
– Juliudu! Eu a vi no olho mágico, eu a vi no olho mágico!…
– Viu o quê, sô??
– Eu a vi no olho mágico, a menina do colégio! Ela estava lá,
na porta da minha casa. Eu a vi no olho mágico!
– E você abriu a porta?
– Claro que não!…
Juliudu foi ficando impaciente.
– Mas por que não, Laupinho?
– Sei lá… talvez ela fosse me xingar, porque eu mandei
a rosa pra ela…
E Juliudu, com a mão sobre o rosto, diz:
– Ai, meu Deus!!!

Olho magico 01
Quem diria; essa minha história publicada no Jornal Diário da Tarde de BHz completou 20 anos em fevereiro último. 20 anos!! tempo bom, heim; dá para se fazer muitas coisas, pode se dizer que é quase uma vida.

E o desenho que ilustra a história é também de minha autoria. O DT publicava as histórias que sempre eram ilustradas pelo pessoal do jornal. Mas quando a gente mandava a ilustração, e eles gostavam e aprovavam, ela era publicada.
Veja a página original do jornal; como a historia foi publicada. Como eu falo por aqui, foram publicadas várias histórias minhas, nesse formato, que em breve estarei lançando as em um livro. Aguardem!! E logo logo mais histórias aqui no blog!!
olho magico melhor