A Estranha História de Edmund Jordan

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No asfalto quente pelo sol de verão um picolé derretia, bem em frente
a casa de Edmund Jordan, um sujeito estranho, pelo menos para seus vizinhos,
que o via sair cedo em seu carro para o trabalho e só retornar às 04 e meia da tarde.
Conversava muito pouco, andava sempre cabisbaixo, e, ou ele tinha um calor
fora do normal, ou era uma pessoa portadora de tiques, pois só ficava puxando
a gola da camisa, e assoprando ar para dentro do peito. Seu terno ia sempre na mão,
deixando à mostra sua camisa branca social de mangas longas e sua gravata preta.
Sempre gravata preta. Nos finais de semana era visto saindo de casa levando
seu cãozinho para passear. Ía de chinelos, bermuda, camiseta, óculos preto,
cabelo engomado em algum produto, e um par de fones de ouvido.
Sua casa era bela, espaçosa, sem muros ou grades, como muitas outras
casas americanas. O bairro era residencial, muito calmo, e quando
algum vizinho o via no centro comercial, ele apenas dava um sorrisinho
rápido, um tímido aceno de mão, e às vezes dizia sobre o tempo,
que estava muito calor, muito calor, muito calor!
Numa certa ocasião, em um desses raros encontros no centro comercial,
ele estendeu um pouco mais o assunto, e entrou em detalhes a cerca do clima
quente. Disse que sentia muito calor e para conseguir dormir, às vezes era
preciso deitar-se até no chão do banheiro, local em geral mais frio nas casas,
e ainda por cima deixar o frigobar com a porta aberta, em frente a entrada
do banheiro.
Lhe aconselharam a colocar ar-condicionado pela casa toda, no que ele
respondeu que esta já estava toda equipada com esses acessórios.
O tempo foi passando e Edmund Jordan cada vez mais ia sentindo mais
e mais calor.
Ao sair de casa já se notava sua camisa molhada pelo suor, e sua
fisionomia cada vez mais com aparência de stress.
Numa certa quinta-feira, no amanhecer de um belo dia ensolarado,
as pessoas puderam observar e sentir uma calma fora do normal na
casa de Edmund Jordan.
Seu carro na garagem, imóvel, e um silêncio total, que se arrastou por todo
o dia e a noite.
Na sexta-feira a mesma coisa. Alguns pensaram em bater
à porta, mas resolveram deixar prá lá.
Mas no sábado deixaram de lado o ¨bom mocismo¨, pois foram acordados pelos
latidos do cãozinho, que com as patas arranhava também as portas.
Tocaram campanhia, bateram à porta infinitas vezes, além de gritarem, e até
berrarem pelo senhor Edmund. Por fim, cansados, e vendo que o animal
não parava de latir, resolveram chamar a polícia, que arrebentou a porta e, já
foram dando de cara com o cãozinho, que apesar de continuar a latir,
não demonstrava nenhum sinal de que estivesse ferido. Estava sim,
protegido por uma grossa vestimenta de malha, pois dentro da casa devia
estar fazendo uma temperatura muito baixa. Talvez até abaixo de
zero na escala.
Adentraram pela casa, percorreram um corredor que dava para quartos;
revistaram tudo a procura de Edmund Jordan. Nem sinal do morador.
Foram ao porão, ao sótão e em outros locais da casa, e nada.
Cogitaram até sequestro, mas não encontraram evidências para isso.
Por fim deram o caso como desaparecimento, e se prepararam  para deixar a
residencia, quando alguém grita lá da área dos fundos.
Correram para ver o que poderia ser. Uma coisa estranhíssima fora encontrada.
Todos ficaram boquiabertos com a cena que se via. Era acreditar ou não,
era uma brincadeira ou não.
Do lado do muro próximo a um pequeno jardim, jogado ao chão havia um
terno preto, junto a uma calça da mesma cor, como também gravata, camisa
branca, e um par de sapatos. Tudo em meio a um liquido viscoço muito estranho.
Alguém com um pedaço de graveto tentava mexer na substância, que
mais parecia uma gosma colenta.
Mais tarde todo o quarteirão estava bloqueado pelas autoridades.
Ninguém saia, e só entrava quem era morador. Equipes do alto escalão do
governo chegavam, acompanhados da CIA, FBI e outros orgãos com siglas ainda
mais estranhas. A imprensa foi barrada, e imperava a lei do silêncio.
O que de tão estranho teria acontecido? O que ouve com o senhor Edmund Jordan?
Todos se perguntavam sem chegar a um resultado elucidador.
¨ O Senhor Edmund Jordan sentia muito calor. Um calor Excessivo.¨
dizia alguém  bem tenso para uma autoridade do governo.
¨Acho que ele simplesmente derreteu! Derreteu!!¨

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