(Trimmm Trimm) Desculpe não posso atender agora, estou a caminho do mar

Surfin

Entro no veiculo. O motorista já vai me dizendo que vai me deixar naquele lugar de sempre.
Agradeço e já deito na minha poltrona favorita.
É domingo. Domingo cinza e chuvoso. Domingo de dezembro.
Quando eu saio de casa em uns dias assim eu peço a Deus pra
ajudar que todo mundo fique dentro de suas casas.
Hoje em dia ninguem mais fica em casa. Gostaria que tivesse bem menos pessoas nas ruas.
Voltando ao meu veículo, vejo que tem poucos passageiros. Todos
sentados mais à frente.
Abro o Segundo Caderno do Globo e começo a dar uma folheada.
Tem uma matéria sobre a nova versão do filme Carrie, a estranha.
Leio também a coluna do Arnaldo Bloch, mas a conversa
dentro do veículo começa a tomar proporções incalculadas.
Alguém se desmistifica em um celular. Parece que está usando
um megafone.
De repente uma mulher se levanta afoita e pede para o
motorista parar. Ela pensa que seu celular caiu do ônibus.
Ele tinha caido na escada que dá para a porta.
Uma acompanhante dessa pessoa lhe questiona o porquê
de deixar o celular no bolso; no que ela respondeu
que esperava uma chamada, e acha que ele escorregou.
Nos dias de hoje as pessoas se preocupam mais com
celulares do que com os próprios filhos.
E o ônibus segue o seu caminho. As avenidas estão livres, calmas.
Só pessoas a irem e virem de seus empregos. Alguns
felizardos estão indo a passear.
Poderia haver uma lei mundial que proibisse as pessoas
de trabalharem no domingo.
Todos em casa, com geladeiras, armários, potes, latas,
garrafas, todas cheias de comes e bebes. Todo mundo só
conversando, lendo revistas velhas, vendo fotos, ou
assistindo filmes em DVDs, ou ouvindo músicas
de CDs. Sem rádio, sem TV, sem celular.
Ah não!! Esqueci do maldito celular. Ninguém fica sem.
Daí teria que ter pessoas em suas centrais para ficar
dando informações, e ou te vendendo promoções.
Mais um pouco e o ônibus chega no meu destino.
Pego a minha prancha e vou para o trabalho.
Como eu não vou até o centro da cidade, deve estar mais
entulhada de gente ainda, igual azeitona no pote; desço
antes, e vou aproveitando a paisagem de ruas arborizadas
e casas bonitas, as poucas que ainda restam, que não se
transformaram em espigões do progresso e da ganância.
Penetro num parque todo gramado, com mil árvores.
As nuvens negras se dissipam, deixando à mostra um brilhante sol!
Ali as pessoas estão a se exercitarem em aparelhos de ginástica,
enquanto outras brincam com os filhos e ou com seus cachorros.
Coloco minha prancha na grama, deito sobre ela, e deixo o mar
me levar calmamente. Aproveito e tomo uma cerveja. Daquelas que a
lata é bem grande; e fico formando desenhos nas nuvens;
viajando no azul infinito do céu!
Ainda bem que no meu mar não tem tubarão!!!

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Cabe mais Um??

caronaMe disseram que um dia todo mundo ia ser só amor. Fazer o bem ao próximo, sem querer nada em troca. Mentira pura!! Eu fico esperando ônibus num domingo ensolarado prá ir trabalhar; passa mais de cem carros só com o motorista. E nenhum pára e pergunta: ¨Tô indo pro shopping, quem for subir a via tem carona!!¨

carona (1)