Raios! Raios duplos!

Raios
Dizem que um raio não cai duas vezes num mesmo lugar!
Ernesto queria provar que esse provérbio não era correto.
Ele se intitulava o Homem-Raio.
Todo mundo o conhecia por esse apelido mais pela sua
maneira nervosa de ver a vida; pois tudo que acontecia
com ele no dia-a-dia, era motivo para estresse.
Se a fila do banco não andava, ele resmungava:
– Raios! Raios duplos!!
No caixa do supermercado quando a atendente lhe
solicitava uma moedinha para facilitar o troco, ele
até lhe sorria, dizendo que tinha. O problema era
saber em qual bolso, e ou profundidade ela estava.
Era mão enfiando no bolso da frente, das costas,
da camisa, dentro do porta níquel, da carteira.
Ele até encontrava, mas já tinha vomitado uns dez
ou mais raios, raios duplos.
Mas Ernesto sabia que ele era uma pessoa especial.
Uma vez num dia de muita chuva, ele no varal,
tentando salvar as roupas que já estavam quase secas,
foi quase eletrocutado por um raio. Veio tão
rápido que a única coisa que conseguiu fazer
foi dar um grito ensurdecedor!
Apesar de ninguém ter ouvido, por causa da chuva
forte, ele, caido no chão próximo à peças de
roupas, poças d’agua e lama, só pensou em se
apalpar. Imaginou que não estivesse vivo. Deu
outro grito mais alto ainda.
Ninguém ouviu!
Levantou-se, foi para dentro da sua casa,
tomou um banho, bebeu um leite quente e
foi dormir.
Sua vida seguiu normal por vários meses; até
que numa tempestade muito forte, não conseguiu
entrar em casa com seu carro. Deixou-o parado
sobre o passeio e foi para dentro da sua
residência. Ao passar próximo ao varal usado
para estender roupas; algo inesperado ocorreu.
Outro raio o atinge. Igual aquela vez, lhe
arremessando novamente ao chão, junto a uma
poça d’agua e lama.
Ernesto não gritou! Começou a rir compulsoriamente
e a dizer:
– Raios, raios! Raios duplos, raios duplos!!
Levantou-se e foi para dentro. Tomou um banho,
e um leite quente; e dessa vez duas doses de
conhaque também.
Na cama ficou imaginando as duas imagens em
que o raio o atingira.
Se um raio não cai duas vezes num mesmo lugar,
ele então era especial!
Deveria ter algum poder escondido, e que ainda
não havia brotado.
Nunca soube qual era esse poder. A única certeza
que teve, é que ele deveria ser uma espécie de
para-raio, pois inúmeras vezes mais, e em vários
outros lugares, ele foi atingido por raios;
não uma, mas duas, ou até três vezes!
Já contou isso pra muita gente. Claro que
ninguém acreditou.
E com raiva dessa negação das pessoas ao
seu caso incomum, passou a verbalizar
contra tudo e todos, sempre dizendo:
– Raios, raios duplos! raios triplos!!

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Beijo

 

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Dizem que um beijo
vale mais que mil palavras.
Um dia, beijei uma linda
garota dentro do ônibus.
Ela ficou brava!
Levantou os braços e
gritou prá mim.
¨- Que isso? ‘Tá maluco??!¨
Eu fiquei calado.
Não disse uma palavra.
Só sei que ela era loira!!

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Pego um copo! Coloco duas pedras de gelo… mais duas!!
Agora a garrafa de whisky.
Deixo cair abundantemente e lentamente, uma quantidade
vil do precioso destilado.
O copo fica extasiado. Se sente o mor entre todos os outros vitrais!
E eu fico ali, espreitando o charmoso tentador.
Ele me chama… eu titubeio.
Ficamos num impasse por algum tempo.
Por fim, cansado dessa inquietante batalha, solto meu primeiro dardo.
E sinto minha boca amargamente feliz.
Esse nectar é perigoso. Te entorpece, te resseca, e tira suas últimas lembranças!
Para enfrenta-lo você precisa de aulas de sobrevivência.
Nem todos que caem em seus encantos, saem totalmente rarefeitos.
¨tenha cuidado! Tenha cuidado comigo!!¨
Me diz meu amigo whisky.
E eu sei!! Sou cuidadoso ao extremo com ele!!
Pego Outro copo; coloco duas pedras de gelo…
mais duas…

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