Se Eu Pudesse

Da minha casa eu vejo uma outra casa. São duas da madrugada, e eu estou sem sono.
Da minha casa eu vejo uma outra casa. As luzes ainda estão acesas. E na varanda, dentro de uma gaiola, um passarinho pula incessantemente. De um pedal ao outro. Ele está confuso, pois deveria estar dormindo. Mas as luzes acesas o deixam perturbado.
Ele continua pulando de um lado para o outro. Eu vejo, e nada posso fazer. Eu estou na minha casa, e ele, em outra casa. De repente me vem um pensamento. Eu, falando para o passarinho:
–  Se eu pudesse, com a minha mente, fazer a minha mão, ir até aquela lâmpada, e apaga-la…
Mas não posso, e não consigo fazer isso…
De repente eu ouço o passarinho piar. Piados nítidos chegam até meus ouvidos. A madrugada silenciosa falando com você… Talvez ele esteja me agradecendo, por esse pensamento bom que eu tive para tentar lhe ajudar.
Passarinho, passarinho… tenha força; cante muito, que esse mundo é seu!

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