O astronauta

Era uma vez um astronauta, que estava sozinho na lua. Ele estava muito triste. Seu
foguete estava sem combustível, e ele estava perdido, pra sempre ali naquela
lua solitária.
Olhando a Terra no espaço escuro, começou a chorar. Lembrava da sua esposa, seu
filho, seu cachorro. Lembrando que nos finais de semana eles faziam aquelas
festas, regadas a pizzas, churrasco, macarrão na chapa, e um delicioso caldo de
feijão, que só sua esposa sabia fazer. Lembrou disso tudo e chorava, chorava,
chorava. Nunca mais colocaria os pés na Terra.
Chorou tanto que adormeceu. E sonhou que voltava pra Terra, voando livre pelo
espaço sideral. Chegara na sua casa, sua família o esperava com aquela festa
costumeira. Era tudo maravilhoso. Daí acordou, e viu que ainda estava preso na
Lua. Chorou mais, muito, tanto que o seu capacete foi enchendo de lágrimas,
quase o afogando. Ele teve que tirá-lo na hora, se não morreria sufocado. Foi
Daí que ele sentiu que podia respirar. Na Lua tinha oxigênio. Menos mal. Então
resolveu dormir, e se preparar para os próximos dias lunares.
Pela manhã ao acordar, fitou a Terra no céu negro, e sentiu aquele aperto no
peito; mas não mais chorou. Pegou uma rocha, esculpiu nela um cachorro, que
tratou de chama-lo de Lunático. Esse que a partir daquele momento seria seu
amigo. Mesmo sem nada falar, nem mesmo latir, seria considerado seu amigo.
Ficou mais calmo assim, por vários dias; mas sempre lágrimas caíam de seus olhos.
Uma certa vez, viu luzes no céu. Era um disco voador que aterrissara ou
alunissara ao teu lado. Dele descerem dois ET’s, que foram logo lhe falando, que
poderiam ler mentes, pensamentos… e viram que ele estava muito triste ali
naquele ambiente inóspito, sem combustível pra voltar pra casa, e muitas,
muitas saudades da família….
Ele mais que depressa confirmou isso tudo, eloquentemente. E eles ainda lhe
disseram que iriam ajuda-lo a voltar pra velha e querida Terra. Se ouviu um oba
ensurdecedor em toda a lua.
Porém, disseram eles, tem um porém. Queriam algo em troca. E ele concordou,
falou o que vocês quiserem, mas me tirem daqui!!
E o pedido foi cochichado em seus ouvidos.
Passado um tempo nosso astronauta, juntamente com seu amigo Lunático, aterrissa
em seu quintal, são e salvo. Corre para dentro de casa para abraçar sua esposa
e filho, e também o cachorro. Abre a porta com uma ânsia enorme. lá os encontra
dormindo no sofá. Ela com uma foto sua no peito, e o guri com uma bola de golfe
às mãos. Ele começou a chorar de alegria, e o cachorro que estava próximo ao
sofá começou a latir de felicidade. Todos acordaram, e quase não acreditaram
naquela visão. Foi uma alegria total, uma felicidade sem tamanho!
À noite pra comemorar, aquela festança! Amigos, vizinhos, parentes; e muito
macarrão na chapa, caldo de feijão, pizza, e o famoso churrasco. Além de muita
mas muita cerveja. E muitas conversas. Colocando todos os assuntos em dia.
Todos queriam saber como voltara. Ele apenas disse que uma força expedicionária
o trouxera de volta ao lar.
De repente a campanhia toca, e ao abrirem a porta, entram dois indivíduos muito
engraçados, por sinal. Tinham aquelas máscaras tipo um óculos com um narigão e
um bigodão, e roupas de palhaço. E o nosso astronauta foi dizendo que eles
eram seus amigos, e adoravam caldo de feijão, bacon, e cerveja. Pediu que
lhes servissem à vontade. E isso foi feito.
E quando já era quase de madrugada, e todos os convidados praticamente foram
embora, nosso astronauta nota os seus amigos apagados no sofá. Beberam demais.
De repente o cachorro, brincando, pula por cima deles, e as máscaras caem.
A mulher e o filho quase tem um troço ao descobrirem se tratarem de dois ET’s.
Mas o astronauta explica tudo, e tudo fica na paz!
Só que no outro dia os ET’s, que ficaram de ressaca; dormiram o dia inteiro, e ainda
ganharam um pito do ET superior, que os tinha liberado somente por uma noite.

Astronauta

 

Desde que meu filho nasceu, sempre conto pra ele histórias à noite, antes do sono
chegar. Vou inventando, misturando histórias famosas com umas que não existe,
fazendo uma salada. Mas ele sempre gostou, e sempre pede pra que lhe conte mais.
Muitas dessas histórias poderiam ser publicadas em algum lugar, se caso eu as
tivesse guardadas, como por exemplo gravadas em algum dispositivo e depois
transcrevê-las. Não fiz isso. Mas essa, que foi contada a pouco tempo, consegui
correr e passa-la para um papel, antes que a esquecesse. Farei isso de vez em quando
com outras e publicarei aqui nesse blog. As Histórias que conto para meu filho.
Hoje ele está com nove anos, mas ainda gosta muito de histórias.
Breve breve tem mais, abraços!!

 

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