A Vida é Mesmo Complicada

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Depois de longos e tenebrosos meses, os meninos estavam, enfim, de férias! Poderiam
viajar, dormir, e até mais tarde ver mais televisão…
Só que as férias não era um mar de rosas para todos. Principalmente na casa do Laupinho.
A mãe dele vivia dizendo:
– Vai procurar algo útil para fazer, menino! Só pensa em assistir televisão? Você bem
que poderia dar uma aparada no gramado!…
Trabalhar em plenas férias escolares, aí já era demais. Laupinho não quis nem saber.
Foi saindo de fininho e foi lá para o Bar Azul, refrescar as idéias com uma Crush bem gelada.
Como o bar era em uma esquina importante do bairro, todos os tipos de pessoas
passavam por lá.

E Laupinho sozinho numa mesa, no canto, passou a reparar a todos.
Tinha uma senhora com uma criança bem gordinha, que chorava e esbravejava:
– Ah não, mãe, eu não quero mais ser gordo. Na escola, todos ficam me azarando!
Tinha também uma mocinha magrinha, comentando com seu pai:
– Papai, eu preciso engordar uns 10 quilos. Quero ser modelo, mas com esse corpo não
posso. Eu preciso engordar papai, preciso…
Nesse instante entra um homem que vai logo falando para o garçom:
– Rapaz, eu não dou sorte com as mulheres. Elas me acham muito feio. O que eu farei?
Preciso ficar mais bonito, charmoso…
Laupinho arregalou os olhos, e antes que pudesse pensar em algo, ouviu uma
mulher gritando para outra, no passeio:
– Já não aguento mais ser bela, ser bonita. Todos nessa cidade querem namorar comigo.
E eu já tenho namorado. Estou ficando louca; vou acabar perdendo o meu amado.
Já não aguento mais!…
Em seguida, desce um homem de um carro importado e diz para Laupinho:
– Guri, não queira ser rico. Você não terá sossego; todos vão te amolar querendo o
seu dinheiro. Seus parentes, seus amigos; você nunca será feliz!
Na mesmas hora, aparece um mendigo e lhe pede alguns trocados:
– Eu não como há dois dias, moço! Não tenho nem onde morar!
E mais dois jovens falando:
– Cara, estou ficando louco de tanto estudar, minha cabeça não aguenta mais!
E outro mais adiante:
– Preciso estudar mais, melhorar nos estudos, senão vou ficar de recuperação, e se
dar bobeira posso até tomar ” bomba”!
Laupinho mais que depressa tomou a sua Crush, pagou e na saída encontrou Juliudu:
– Vamos sair daqui correndo, Juliudu!
– Por que Laupinho? Parece que viu um fantasma!?
– Ví, sim. E vários!
– E prá onde você vai agora?
– Lá prá casa cortar a grama, você me ajuda?
– Claro!!
E no caminho, Laupinho ainda encontrou um anão que era afim de jogar basquete;
um senhor de mais de dois metros de altura que era infeliz por não encontrar
sapatos número 52; uma mulher que não suportava seu casamento e uma moça que
estava há muito procurando um namorado.
É, Juliudu, não queira entender a vida; ela é mesmo muito complicada!

 

 

Era um sábado, 20 de julho de 1996, que essa história saiu na mídia. Publicada no Extinto Jornal Diário da Tarde, de BHz, Brazil, que como era de praxe, abria espaço para iniciantes, tanto em contos, histórias, como quadrinhos, tirinhas… era o DT Infantil, Revistinha; que contava com a colaboração de anônimos que queriam mostrar seus trabalhos, e tinha também a equipe principal, de apoio, que gerenciava todo esse pequeno, mas grande espaço da cultura underground, se é que posso falar assim. Son salvador, que inclusive ilustrou essa pequena história, Quinho, Melado, eram alguns que auxiliavam essa empreitada semanal. Cito também Chantal, Eduardo, Laura Gomes, Charles Araujo, Pedro Antônio, Alves, e outros que participavam sempre, em colaboração, engrandecendo o espaço. Agradeço ao Diário da Tarde por essas ” oportunidades” de mostrar meus trabalhos. Logo mais publico mais coisas… até mais!!!!

P.S – Na história cito o Bar Azul, que ficava na rua Niquelina, esquina com a praça Floriano Peixoto no bairro Santa Efigênia, em BHz. Esse lugar fez parte da minha infância…

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